Reflexôes sobre o ambiente acadêmico e o funcionalismo público.
Algumas semanas atrás depois de entrar de férias estava discutindo com alguns amigos sobre a questão que envolve o corporativismo dentro do sistema de ensino. Tudo começou com uma coisa que aconteceu numa aula do curso de Licenciatura. Um rapaz que trabalhava no Conselho Tutelar fazendo defesa de algo que de fato não acontece: defesa das crianças de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente. A defesa das normas desse estatuto e da idéia surreal de que os menores abandonados estaria sendo bem tratados foi empreendida por esse colega de turma de forma tão contudente e quase incontestável com um ar de cinismo que soou tão hipócrita e corporativista que muitos dos meus colegas se sentiram ofendidos e fora necessário que saissem de sala de aula por conta do ocorrido. O grau de insensibilidade a cada palavra ministrada naquele seminário era tão clara que foi impossível se portar como se nada estivesse acontecendo sem que qualquer tipo de manifestação expressando um misto de raiva, indignação e até mesmo nojo fosse feita e tivesse exposição no rosto de cada um dos meus colegas de turma. Nesse dia cheguei atrasado na aula, e não me inteirei muito do que estava em jogo na discussão, até que isso aconteceu. Em conversas com colegas do curso de Ciências Sociais fora do ambiente acadêmico (por telefone ou internet geralmente), já me posicionei algumas vezes sobre a estrututura da Universidade e o que o corpo docente tem para nos "oferecer" em termos de conhecimento. Pois, é impossível conversar sobre esses temas dentro da Universidade sem que haja censura por parte de outros colegas que não enchergam esse mesmo problema e até mesmo defendem esse modelo. Cheguei algumas conclusões que cobrar eficiência desses "Doutores" de fato soa estranho para eles mesmos. Eles se encontram em uma situação estratégica onde podem trabalhar sem prestar contas do que estão fazendo para ninguém (sendo inclusa a sociedade que custeia nossos estudos e pesquisa ou até mesmo o Estado que possui o dever de nos ministrar um ensino de qualidade conforme a Constituição) e que a solução para que esse estado de coisas acabe seria acabar com a estabilidade do emprego público e melhor fiscalizar o que estão de fato fazendo. É claro que isso deve ser melhor analisado e é algo que sempre envolve polêmicas. Pois, há àqueles que defendem a manutenção desse estado de coisas, sem nenhum tipo de constrangimento com a sua manutenção. Mas, isso é o que eu defendo em clara oposição. Pois, os professores ou qualquer funcionário público que fique dez, vinte ou até mesmo trinta anos dentro de qualquer orgão público nunca vai exercer seu trabalho com uma certa eficiência, e o que de fato estão fazendo é a reprodução dos modelos que sempre criticamos e vemos todos os dias nos jornais expressa em uma única palavra: corrupção! É claro que de uma forma diferente, mas, que estão fazendo estão de alguma forma. A teoria que formulei com base nessa experiência foi a seguinte: se alguém aperta uma porca, não há motivo para que ele mude o modo que ele aperta a porca. Assim como alguém que bate um prego numa madeira com um martelo, não há motivo para que ele bata de uma forma diferente exceto aquela que ele está acostumado a bater.E isso se aplica a esse modelo de funcionalismo público que temos hoje.
Escrito por Rodrigo às 15h54
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